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Ocupantes da Praça da Matriz: primeiras ações foram definidas para resolver problemas com grupos de viciados

A comunidade são-luizense há tempos reivindica atenção com a
Praça da Matriz, devido a situação de pessoas de rua que ocupam espaços no
centro e perturbam a ordem pública. Os grupos costumam se reunir no meio da praça,
fato que gera diversas reclamações. Após uma matéria da Rádio Missioneira, que mostrava
o fato, o caso ganhou ainda mais visibilidade.

Relembre:  

População reclama que Praça da Matriz se tornou
morada para viciados

Desse modo, na semana passada, diversos setores da
Administração Municipal e segurança pública participaram de uma reunião no Centro
Integrado da Cidadania (CIC). O objetivo do encontro foi discutir e definir
ações para auxiliar as pessoas em situação de rua que se reúnem no local. O
encontro foi coordenado pelo secretário de Ação Social e Comunitária, Paulo
Cesar Trindade Garcia, o qual ressaltou que a situação não está vinculada
apenas a uma secretaria, mas é uma questão de saúde pública, que abrange
diversas áreas e setores.

Ações

O próximo passo do grupo de trabalho para definir ações de apoio será o recadastramento de todos os ocupantes da Praça da Matriz. Com esses dados, será possível averiguar a situação de cada um (alguns recebem benefícios devido problemas de saúde) e entrar em contato com as famílias.  A próxima reunião do grupo de trabalho será realizada na sexta-feira, dia 13 de abril, para definir o plano e o cronograma de ações. 

Quem são? 

Durante a reunião, foi ressaltado que a maioria das pessoas
que se encontram na Praça da Matriz não são “moradores de rua”, mas pessoas em
situação de rua. A maioria possui familiares que residem no município e teriam
um local para morar, porém optaram viver fora de suas casas devido a
dependência química. “Eles sabem que enquanto estiverem junto de suas famílias
terão que obedecer regras, abandonar vícios e isso acaba fazendo com que
escolham sair de suas casas para morar na rua, onde supostamente terão mais
liberdade”, destacou a coordenadora do Centro de Referência Especializado de
Assistência Social (Creas), a assistente social Valéria Castro.  Ela também ressaltou que o objetivo é
reintegrá-los a sociedade, oferecendo suporte no tratamento de dependência
química e no reestabelecimento de vínculos familiares quando estes
existirem. 

Atendimento

A assistente social do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)
Álcool e Drogas (AD), Claudia Oliveira ressaltou que a maioria das pessoas que
estão nessa situação possuem cadastro no centro, já receberam atendimento e
acabaram por desistir do tratamento. “Além de oferecermos os atendimentos
adequados, precisamos da vontade do paciente de buscar esse tratamento. É um
processo difícil, muitas famílias nos procuram para tentar esse resgate, mas precisamos
que o paciente queira participar”.

A assistente social Claudia Oliveira informou que o CAPS AD
também encaminha os pacientes para internações voluntárias e compulsórias com o
objetivo de desintoxicação, o que dura em média um mês. Após esse período, o
paciente recebe alta e deve seguir com o tratamento. O centro também realiza o
encaminhamento para comunidades terapêuticas, as quais não aceitam pacientes em
internação compulsória (segundo estabelece a lei).  

O dependente químico em tratamento, Fábio R., o qual foi
convidado para participar da reunião, ressaltou que o processo de tratamento é
árduo. “A dependência química é uma doença. A pessoa passa pelo tratamento, mas
não existem garantias que estará curada. Um dia você está bem, no outro pode
acabar perdendo o controle. Por isso acredito serem importantes discussões como
essa, visando a recuperação e reinserção na sociedade, o que também não é uma
tarefa fácil”.

Segurança

A reunião também contou com a participação do Tenente
Miranda, do 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o qual ressaltou que os
policiais realizam com frequência a abordagem das pessoas que se fixaram na
Praça da Matriz. Nessas ações, algumas das pessoas abordadas são de outras
cidades que vieram para o município. Também foi constatado que alguns possuem
antecedentes criminais.

Tenente Miranda solicitou à comunidade que registre boletins
de ocorrência em casos de contravenções cometidas por estas pessoas. A ação é
importante para o levantamento de informações sobre a situação para que sejam
tomadas as medidas cabíveis. O grupo de trabalho também solicita a comunidade
que não dê dinheiro para as pessoas em situação de rua. O ato acaba
dificultando o processo de recuperação. 

A reunião também contou com a participação do então
secretário da Administração, Alex Nunes; do assessor jurídico, Lucas Adams
Wesz; do advogado Renato Moraes de Oliveira; da representante da Secretaria de
Saúde, Vania Andrade; da psicóloga do CREAS, Lara Remus; do responsável pela
Praça da Matriz, Renê Pereira; da assistente social da Secretaria de Ação
Social, Ana Fontela e da assessora da pasta, Jaqueline Saratt.

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