Nem tanto ao céu e nem tanto à terra. Assim tem sido o começo de 2025 para o presidente da Coopatrigo e da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul LTDA (FecoAgro), Paulo Pires. Ao mesmo tempo em que celebra resultados históricos obtidos pela sua cooperativa em 2024, ele se mostra muito preocupado com a terceira estiagem em quatro safras que atinge a Região das Missões neste começo de ano. Segundo Pires, se faz urgente a implantação de políticas públicas de incentivo à irrigação de pequenas propriedades rurais no Estado e no País.
A afirmação foi feita durante participação de Paulo Pires no programa Jornal da Manhã desta quarta-feira. “O ano de 2024 começou promissor para o agronegócio por causa do clima, que interrompeu dois anos de estiagem, registrada em 2022 e 2023. Ano passado foi farto de chuva mas, depois da safra de grãos quase concluída, vieram as enchentes e toda a tragédia que testemunhamos. De uma forma geral, a chuva possibilitou uma safra próxima da normalidade, somando cerca de 22 milhões de toneladas. Mas depois vieram as enchentes e a microexplosão climática em São Luiz Gonzaga que muito nos afetou. Porém, conseguimos trabalhar com o associado e superar as dificuldades. Mas, infelizmente, a seca se impõe novamente e nos preocupa muito, pois afeta basicamente apenas nossa região”, afirmou Paulo Pires.
Ele destacou que nesta quinta-feira à tarde, em Ijuí, ocorre uma reunião da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) e FecoAgro para discutir a seca nas Missões. Tem de haver uma reação firme do setor. São três períodos de seca em quatro safras em um Estado dependente da produção de grãos”, disse Pires. “Temos hoje um cenário paternalista e populista, que não privilegia a produção no que se refere a políticas públicas. Não podemos aceitar que um ministro fale em controle de preços de alimentos, que são globalizados. A Argentina está tirando impostos e estimulando os produtores locais para que possam competir e precisamos de mudanças no Brasil de forma mais realista, privilegiando quem produz, gera emprego e impostos e movimenta a economia.”
O presidente da Coopatrigo e FecoAgro destacou ainda “que o Brasil precisa de política pública de incentivo a irrigação voltada ao pequeno produtor.” Ele cita como exemplo de bons resultados obtidos em área irrigadas a produção de milho. “Superamos meta da cooperativa com 70% da produção de milho irrigada”, completou Paulo Pires.