O promotor de Justiça Vinícius Cassol informou ao Ministério Público do Rio Grande do Sul que irá recorrer do tempo da pena de 18 anos aplicada ao homem que foi condenado na última segunda-feira (4) pelo feminicídio da ex-companheira Kely Ostwald, ocorrido em 2016, em São Luiz Gonzaga. Conforme o promotor, a medida também foi tomada pelo fato de que a Justiça não acolheu o pedido de prisão do réu.
Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em março de 2016. Na época, o homem, que atuava como bombeiro militar e tinha 26 anos, foi até a casa da vítima, 24 anos, e disparou contra ela.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o motivo do crime foi a não aceitação, pelo acusado, do término do relacionamento, o que configura motivo fútil. Também foi apontada a qualificadora do feminicídio, já que o delito foi cometido no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher.
Em plenário, foram ouvidas cinco testemunhas. Já durante os debates, que se estenderam até o final da tarde de segunda-feira, o promotor sustentou a total procedência da denúncia, com as duas qualificadoras.
Depois, os jurados acolheram integralmente os pedidos do MPRS, contudo, o entendimento do promotor foi de que a pena não condiz com o crime cometido, muito menos o fato do bombeiro — que atualmente está na reserva — seguir em liberdade.
“A pena ficou muito aquém do esperado para o caso concreto, um crime consumado, praticado por um bombeiro com uma arma com numeração suprimida e com duas qualificadoras, bem como discordo do entendimento do magistrado quanto à prisão, razão pela qual foi apresentado recurso de apelação ainda durante a sessão”, ressalta Vinícius Cassol.
Foto: arquivo pessoal
Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul