A Federação das Cooperativas Agropecuárias do estado (FecoAgro/RS) e a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) defendem a revogação da alteração do calendário de plantio da safra de soja 2023/2024 proposta pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O calendário emitido pelo ministério, através de uma portaria, define a data de plantio da soja no Rio Grande do Sul em 110 dias, de 1º de outubro de 2023 até 8 de janeiro de 2024. Em comparação com o calendário passado, houve uma diminuição de 30 dias no período de semeadura da soja.
Tanto Paulo Pires, presidente da FecoAgro/RS, quanto Luis Fernando Cavalheiros Pires, assessor da Farsul, defendem a revogação da portaria. Eles concederam entrevista para o programa Jornal da Manhã nesta sexta-feira (14) e abordaram o assunto.
Para Paulo Pires, o caso merece atenção. “Se não reverter a portaria, teremos um prejuízo grande. O assunto é grave”, frisou. Para ele, a região das Missões seria afetada diretamente, pois, ao longo dos anos, vem se beneficiando de uma alternativa encontrada no próprio clima.
“Seria o fim do diferencial que a região missioneira tem. Nós conseguimos plantar uma safra de milho e, posteriormente, uma de soja, algo que no Rio Grande do Sul, poucos lugares conseguem”, disse o presidente da FecoAgro/RS
Um documento foi enviado ao secretário estadual da Agricultura do RS, Giovani Feltes, deputado federal, Alceu Moreira e senador Luís Carlos Heinze, na última quarta-feira (13), sugerindo que o período ideal para semeadura no Rio Grande do Sul se inicie em 1º de outubro de 2023 e se encerre em 18 de fevereiro de 2024, mantendo o período de 140 dias estabelecidos no calendário anterior.
Para Paulo Pires, a portaria também afetaria a qualidade das sementes de soja produzidas na região. “A melhor semente do Brasil é produzida aqui, devido a fatores climáticos que nos favorecen”, avaliou.
Luis Fernando Cavalheiro Pires destaca que o assunto preocupa muito a sociedade gaúcha. “Isso irá afetar, em muito, várias lavouras do Rio Grande do Sul. Muitos produtores entram janeiro à dentro plantando soja”, relembra.
O assessor da Farsul também cita os impactos que a medida teria no setor de irrigação. “Essa portaria, fere, inclusive, a viabilidade econômica de um pivô”, considera.
Luis Fernando conclui informando que seguirá, junto com outras entidades do setor, trabalhando para reverter a portaria e que a medida possui apoio, também, de outros estados da federação.
“É um assunto muito sério. Estamos atentos e unidos com demais Estados, trabalhando juntos para alterar a portaria”, finalizou.
Rádio Missioneira