Evento de La Niña de muito longa duração que predominou desde meados de 2020 está nos seus últimos dias no Pacífico
O monitoramento diário da temperatura da superfície do mar feito pela MetSul aponta que é crescente a área de águas mais quentes do que a média e a diminuição das águas mais frias que marca a La Niña. A tradicional “língua” de águas mais frias na faixa equatorial do Pacífico, que identifica o fenômeno nos mapas de anomalia da superfície do mar já não está presente.
De acordo com o último boletim semanal da NOAA, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a última semana teve anomalia de temperatura da superfície do mar de -0,5ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada para definir se há El Niño ou La Niña.
O valor está justo no número que separa La Niña de fraca intensidade (-0,5ºC a -0,9ºC) de um estado de neutralidade (-0,4ºC a +0,4ºC), ou seja, o fenômeno no momento é que o se denomina de borderline ou exatamente no limite.
Com a notícia de que a La Niña está prestes a acabar, a pergunta que mais virá do público será: o fim da La Niña significa que a estiagem que assola o Rio Grande do Sul vai acabar? Não, não é tão simples assim. Ideal que acabasse, mas a estiagem vai permanecer ainda por algum tempo.
O que pode ocorrer são episódios de chuva mais frequentes, e apenas em certos períodos, como se antecipara para esta terceira semana de fevereiro, mas a atmosfera não funciona como virar uma chave, logo o término da La Niña não termina a estiagem de imediato.
Isso porque a atmosfera ainda responde por um certo tempo ao padrão que predominava, no caso nos últimos três anos, uma vez que este é um evento de La Niña com três anos de duração, que começou ainda em 2020, o que não ocorria há mais de 20 anos.
Fonte: MetSul Meteorologia