A ACONTURS - Associação dos Conselheiros e Ex-conselheiros Tutelares do Rio Grande do Sul lançou carta aberta à sociedade, com o objetivo de divulgar os motivos pelos quais estarão promovendo paralisação nacional, que ocorre nesta quinta-feira, dia 12.
De acordo com a carta, a categoria está indignada com o acontecimento do dia 6 de fevereiro, data onde três conselheiros tutelares foram mortos na cidade de Poção, estado de Pernambuco. Segundo informações da imprensa do referido Estado, os conselheiros foram vítimas de emboscada, alvejados enquanto estavam em um carro transportando uma criança. A avó da criança também morreu. A menina, de três anos, foi a única sobrevivente. Os conselheiros mortos são Carmen Lúcia Silva, Daniel Farias e Lindemberg Vasconcelos. Segundo o texto publicado pela Associação, a postura de muitas autoridades, como juízes, promotores, delegados, policiais, vereadores, prefeitos e membros de conselhos municipais dos direitos da criança e adolescente, tem resultado na diminuição dos conselheiros tutelares como profissionais, que perderam autonomia e autoridade.
Para trazer mais informações sobre o assunto, o programa Jornal da Manhã de hoje transmitiu entrevista com a conselheira tutelar Nilza Tuzi Fonseca, que lamentou o ocorrido, ressaltando que muitas vezes o Conselho Tutelar é visto como órgão repressor e o serviço prestado pelos profissionais é exatamente o contrário, pois o Conselho tem como princípio a proteção. Quanto à relação dos profissionais locais com as autoridades anteriormente citadas, Nilza disse que aqui, felizmente, a relação é muito boa, com apoio incondicional do Juizado da Infância e Juventude, Promotoria de Justiça e Administração Municipal.
Mesmo assim, Nilza mencionou que, às vezes, os conselheiros carecem de mais autonomia para aplicar algumas medidas. Ela também considera que as capacitações ocorrem muito tempo depois de os profissionais assumirem seu posto. Além disso, os conselheiros necessitam de apoio de profissionais como psicólogos, pois trabalham com realidades muito difíceis para crianças e isso exige um muito cuidado e acompanhamento efetivo de cada caso. Conforme o documento da Associação, os serviços dos conselheiros tutelares estão paralisados, com a porta de sua sede fechada, mas os profissionais ficam de plantão e sobreaviso. O número do plantão do Conselho de São Luiz Gonzaga é 8403-3452 para atender a emergências. A entrevistada disse que gostaria de ter organizado um mobilização maior, porém, não foi possível fazê-lo pelo fato de o comunicado ter chegado em cima da hora.
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