SÃO LUIZ GONZAGA

São Luiz Gonzaga, RS, Brazil

Municípios terão autonomia para decidir sobre realização de partos em pequenos hospitais

  • 19 de abril de 2017

Surtiu efeito positivo a mobilização de prefeitos,
vice-prefeitos e secretários municipais de Saúde de diferentes regiões gaúchas,
que ocorreu na parte da manhã e da tarde de segunda-feira (17) no auditório da
Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs), com o firme propósito
de evitar que o governo do Estado impedisse a realização de partos em hospitais
de pequeno porte.

A resolução da Secretaria Estadual de Saúde (SES) diz que
hospitais com menos de 365 partos por ano deixariam de prestar este
atendimento, que passaria a acontecer em hospitais regionais maiores. No caso
das Missões, este serviço seria concentrado no hospital Santo Ângelo.

Prefeitos e secretários de Saúde da região das Missões
participaram dos debates, entre eles os chefes do Executivo de Cerro Largo,
Valter Spies (PP), Mato Queimado, Orlando Thomas (PP) e Caibaté, Amauri Pires.

Intranquilidade

Conforme explicou Valter Spies, o interesse do hospital de
Cerro Largo é de manter os partos e, se possível, trazer mais gestantes da
região. "Nosso hospital está em reforma, inclusive o bloco cirúrgico. Estas
melhorias irão qualificar ainda mais o atendimento para gestantes e demais
pessoas que precisarem. Além de manter, estamos trabalhando para regionalizar
os serviços de parto em nossa cidade", destacou Spies. Ele fez questão de
evidenciar a preocupação com o bem estar das mulheres grávidas. "A gestante não
pode sentir intranquilidade. Ao contrário, precisa estar segura de que sairá de
casa para fazer o parto com o médico que está lhe acompanhando desde o
pré-natal", complementou Valter.

Na avaliação do prefeito de Mato Queimado, não se pode
aceitar nenhuma lei que venha de cima pra baixo, ainda mais quando se trata de
lei de gabinete. "Primeiro é necessário conhecer o cotidiano dos pequenos
municípios e dialogar com a comunidade, especialmente quando envolve gestantes.
A saúde funciona muito bem em nossa cidade, pois temos uma parceria com
município de Caibaté, que tem um dos hospitais referência da região. A
realidade de Mato Queimado, e também de outros municípios missioneiros, não
condiz nenhum pouco com este critério que está sendo utilizado pela SES",
afirmou Thomas.

UTI Neonatal

Também o prefeito de Caibaté compartilha da mesma opinião dos
colegas gestores. "Temos nosso hospital em Caibaté com excelente estrutura para
realização de partos. Não teria nenhuma necessidade transferir gestantes para
outro local, uma vez que elas correm sérios riscos de terem seus filhos dentro
de uma ambulância, ou de chegarem ao hospital e não encontrarem leitos
disponíveis", ressaltou Amauri Pires. Ele disse ainda que para resolver a
questão da mortalidade infantil o Estado precisa de UTI Neonatal. "Cada vez que
se tem problemas com o nascimento de crianças, a luta é grande para conseguir
uma vaga na UTI e ficamos à mercê do banco de vagas do Estado", enfatizou.

Autonomia dos
municípios

Após ouvir as considerações dos prefeitos de diversas
associações regionais gaúchas, o secretário adjunto da Saúde do RS, Francisco
Paz, explicou que cada município terá autonomia para decidir. Os hospitais que
realizam partos em pequenas e médias cidades podem deixar de prestar o serviço
e ingressar na rede de atendimento organizada pelo Piratini. Neste caso, os
procedimentos serão realizados nos hospitais regionais de maior porte. "Os
demais hospitais que não tiverem na rede continuarão a fazer partos. Nós não
pretendemos fechar hospitais", contextualizou Paz.

Debate na AMM

Assim que finalizou a reunião na Famurs, em Porto Alegre, os
prefeitos de Cerro Largo, Mato Queimado e Caibaté solicitaram o apoio do
presidente da AMM, Brasil Antonio Sartori, para que este tema fosse debatido na
próxima assembleia da Associação, dia 5 de maio, de forma a sanar todas as
dúvidas. "Já convidamos o coordenador regional de Saúde, Antonio Sarzi Sartori,
para que, juntamente com um representante da Secretaria Estadual de Saúde,
esteja presente em nossa reunião mensal. Considerando a relevância do tema para
toda a comunidade missioneira, o convite é extensivo aos diretores dos hospitais
da região das Missões", frisou o dirigente da Associação dos Municípios das
Missões. O coordenador Antonio Sarzi confirmou participação e posteriormente
vai informar quem virá representando a SES.

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