O coordenador da Regional dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais da Grande Santa Rosa, Pedrinho Signori, concedeu entrevista ao programa Jornal da Manhã desta quarta-feira. Na pauta da conversa esteve a grande dívida que empresas do setor lácteo contraíram com produtores da região, com débitos que não são pagos e estão colocando os agricultores em situação cada vez mais difícil.
Segundo o entrevistado, as constantes fraudes registradas com o leite refletiram em diminuição do consumo do referido produto e consequente queda no preço, porém, o fato mais agravante nesse cenário fica por conta das empresas que compram o leite dos agricultores, pois essas empresas estão “quebrando” e ainda deixam o produtor sem receber pelo leite. Alegando dificuldades financeiras, as empresas entram em recuperação judicial e, nessa situação, o produtor é um dos últimos credores a receber.
Empresas
Pedrinho ressaltou que várias empresas da região Noroeste quebraram e não estão cumprindo com seus débitos junto aos produtores. Há o caso de empresas como a Bom Gosto e LBR, que levaram o leite dos produtores e não pagaram, sucedidas pela Italac, que assumiu o compromisso e fez acordo com a maioria dos produtores da região, pagando apenas 50% do passivo, em cinco parcelas, enquanto outras empresas simplesmente “desapareceram”. Outra empresa que recentemente deixou de pagar os produtores foi a Santa Rita, de Estrela.
Mesmo que alguns produtores entrem na Justiça e ganhem seus direito, Pedrinho disse que a situação é muito preocupante, pois essas medidas não resolvem os transtornos causados por essa situação, que se refletem nos compromissos com as famílias desses produtores, que, em muitos casos dependem exclusivamente do leite para quitar débitos como contas de luz, água e despesas em geral.
O maior prejudicado é o produtor
O entrevistado esteve participando de audiências e encontros para debater essa situação, destacando que, mesmo havendo apoio de entidades aos produtores, devem ser feitas alterações mais profundas, como no caso da lei de falência de empresas. Quando uma empresa quebra, o produtor fica entre os últimos a receber e isso deve ser revisto, pois o fornecedor da matéria prima deve estar no topo da lista dos credores. Em alguns outros casos, as empresas quebram, trocam de CNPJ e abrem outro empreendimento, o que Pedrinho descreve como uma “picaretagem”, na qual o maior prejudicado é o produtor.
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