O programa Jornal da Manhã de hoje recebeu a interventora do Hospital São Luiz Gonzaga, Iria Diedrich. Ela abordou a situação vivida pela instituição em termos de recursos e oferta de serviços em um cenário onde o setor da Saúde teve problemas, como na questão de disponibilidade de ambulâncias.
Recursos não chegaram a São Luiz
Após participar de reuniões de entidades representativas das instituições de Saúde, Iria disse que existe uma determinação do governo do Estado em cumprir com compromissos apenas de janeiro em diante, determinação que ela contrapôs no programa de hoje, dizendo que não se pode deixar de atender às dívidas anteriores, pois o governo é um só. Não existe governo anterior e atual nessa questão. Segundo Iria, o Hospital local tem mais de R$ 450 mil para receber do Estado e não se sabe quando esse recurso virá. Havia sido feita promessa de se pagar essas dívidas a partir de janeiro, sendo que alguns hospitais começaram a receber, o que não aconteceu com o de São Luiz Gonzaga.
Governo voltou atrás
Com isso, Iria observa que a articulação política será fator determinante neste processo, pois a situação está sendo tratada de forma desigual. Segundo ela, não há como administrar sem recurso público, pois 90% dos pacientes da emergência são SUS e, na internação, 70% são atendidos pelo Sistema Único de Saúde. Ela lembrou que, quando foi criado o incentivo do “Hospital Porta Aberta”, o objetivo era colocar o serviço de triagem, contratar profissionais qualificados, ampliar sala de emergência e tudo isso foi feito, porém, o governo atual entende agora que tudo isso representa muito dinheiro.
Orçamento não é suficiente
A situação atual demanda que não apenas as instituições de saúde se mobilizem, mas também as lideranças locais se reúnam em torno dos seus representados. O governo do Estado diz que o orçamento para a Saúde é de R$ 940 milhões e os contratos somam R$ 1,5 bilhão. Iria diz que o Estado está voltando atrás após sugerir que os hospitais fizessem investimentos e agora o grande prejudicado é a comunidade. Além disso, os servidores do Hospital também podem ser prejudicados. Nesse sentido, a interventora disse que ainda não há demissões nos planos, mas, se um funcionário do hospital local sair hoje, não haverá reposição do seu cargo em um primeiro momento.
Dívida do município
A entrevistada disse que, agora, as atenções se voltam para a dívida do município relativa à verbas rescisórias dos ESFs. Até hoje o Hospital não recebeu recurso de aproximadamente R$ 1 milhão emprestado à Prefeitura e essa seria uma alternativa enquanto há esta indefinição sobre o apoio do Estado. No momento, o prefeito Junaro segue aguardando parecer do Tribunal de Contas do Estado para dar andamento a esse ressarcimento. Devido a isso, o Conselho Municipal de Saúde formou comissão que deverá agendar encontro com o Tribunal nos próximos dias para colocar essa necessidade desse parecer.
UTI
Com todos esses problemas, não se pode nem pensar em implantar UTIs, pois, segundo Iria, os hospitais que abriram credenciais para UTIs conforme orientação do Estado estão tendo que voltar atrás, sem nem mesmo receber o recurso investido de volta. No momento de entrevista, ouvinte perguntou se a verba do Deputado Marrone viria ou não. Sobre isso Iria disse que o problema é a dívida geral da instituição, que está no caminho para ser saldada, mas atualmente impede a inserção de recursos que não sejam na forma de equipamentos.
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