O novo ano começa com intenso combate ao tráfico de drogas em
São Luiz Gonzaga. A Polícia Civil nos primeiros dias de 2018 prendeu
preventivamente quatro pessoas pelo crime na cidade. As prisões revelam
famílias da cidade envolvidas com o tráfico de entorpecentes, uma vez que os
acusados são parentes de pessoas presas em 2017. Também chama a atenção que muitos dos
criminosos são jovens. As ações são
fruto de investigações realizadas há meses, pela equipe da Delegacia de
Polícia, que tem como titular a delegada Elaine Schons.
Mulher assumiu o
trabalho do marido
Na primeira operação, realizada no dia 04 de janeiro, duas
pessoas foram presas. Elas tinham laços familiares com traficantes que haviam
sido presos no ano passado. Conforme a polícia, a mulher assumiu um ponto de
venda de drogas na Vila Auxiliadora, que pertencia ao marido. Ele está no
presídio há seis meses, acusado de tráfico.
O outro detido na mesma operação teve o sogro e a sogra
presos também em 2018 pelo mesmo crime. A investigação apontou que ele fornecia
drogas para o casal preso. Os policiais investigaram o caso cinco meses antes
de pedir as preventivas para a justiça.
Casal irmão de jovens
presos
Na quarta-feira, outro casal foi detido de forma preventiva.
A mulher é irmã de um jovem de 18 anos, preso em flagrante na Vila Harmonia em
outubro do ano passado. O companheiro dela é irmão do outro rapaz, de 20 anos,
preso no mesmo flagrante, convertido em preventiva depois. Eles seguem atrás
das grades desde então.
A ação, que teve apoio da Brigada Militar, foi realizada após denúncia anônima e flagrou a posse
de nove pedras de crack. A investigação apontou que os quatro agiam em
conjunto. O casal era quem fornecia as drogas para os jovens venderem em uma
casa abandonada na Vila Harmonia.
Evolução de traficantes
para usuários
Conforme a delegada regional Tânea Bratz, uma das principais
frentes de combate em São Luiz Gonzaga é contra o tráfico. "Sabemos que ele é
base para outros crimes, como os contra patrimônio e até mesmo a violência
doméstica", explica Bratz. Muitos dos
investigados passaram de usuários para comerciantes dos entorpecentes.
Ela acredita que a associação familiar se dá em virtude da
confiança, como funciona em outros negócios. "O tráfico, apesar de ser crime e
imoral, é tratado como uma empresa, por isso precisa da confiança dos
envolvidos", ressalta. Muitas vezes o pai ou marido vai preso, e quem assume o
ponto são as mulheres, irmãos ou até mesmo filhos", argumenta a delegada.
Sobre o envolvimento de jovens no crime, Bratz salientou que
geralmente as pessoas envolvidas começam cedo, pois a carreira costuma ser
curta. "Na cadeia quem tem 40 anos é considerado velho", pontua. No caso dos
adolescentes, eles são escolhidos pela falsa percepção de imunidade. Outro
fator que influencia é a alta taxa de desemprego.
Trabalho continua em
2018
Tânea elogiou o trabalho da delegada Elaine, que assumiu a
Delegacia de Polícia em dezembro de 2016. "Está fazendo um trabalho excelente
nesse sentido", destaca. Mesmo com o
empenho, ainda há bastante a ser feito, pontua a profissional. "Temos várias
investigações em andamento nesse sentido e em 2018 vamos continuar trabalhando",
ressalta a delegada.
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