Plano safra
e assuntos da agricultura em geral foram tema de entrevista do presidente da
Fecoagro, Paulo Cézar Vieira Pires, concedida à nossa emissora nesta
quinta-feira, durante o programa Jornal da Manhã.
O primeiro
assunto abordado foi o Plano Safra da Agricultura e Pecuária, anunciado nesta
terça-feira (02). Este plano também é chamado de Plano da Agricultura
Empresarial, sendo que o Plano da Agricultura Familiar será lançado no dia 15,
ocasião onde Paulinho também estará presente. Sobre o Plano Empresarial, o
Presidente considera como fatores fundamentais o aumento de 20% na oferta de
recursos, restando agora apenas que o Plano chegue até as agências.
Outro fator
positivo que o entrevistado destacou foram os juros, que aumentaram 7,5% na
parte de juros controlados, onde existe uma equalização por parte do Governo
Federal em razão de se tratarem de valores específicos, subsidiados, destinados
a custeio.
Falando
sobre o aspecto negativo, o Presidente da Fecoagro disse que o produtor já está
sentindo o alto custo de produção, principalmente em razão da desvalorização
cambial. Também há a queda no preço de produtos agrícolas, e aumento do juro
dos empréstimos que os agricultores estão tomando. Isso contrasta com o lado
positivo do aumento de recursos.
Próximo
Plano
Como praticamente
todas as cooperativas do Rio Grande do Sul trabalham com agricultores
familiares, existe uma grande expectativa para a divulgação do próximo Plano
Safra, dia 15. Segundo Paulo Pires, existe a promessa de que os juros vão se manter
ou, se houver alguma correção, a mesma será pequena. O mesmo vale para os
programas e volumes de produção. Para o entrevistado, essa manutenção se
reflete em na confiança e noção por parte do Governo de que o setor está indo
bem e assim deve continuar.
Sobre a
pouca existência de ?lavouras seguradas? no Brasil, Paulo Pires considera que o
Seguro Agrícola é pauta primordial para entidades como a Fecoagro. Nos últimos
anos o Proagro teve um enfraquecimento. Ele disse que entidades estão propondo
para a ministra da Agricultura, Katia Abreu, um novo modelo de Seguro Agrícola,
com custo mais baixo e subvenção do Governo Federal. Hoje esse modelo está
funcionando no Mato Grosso do Sul e Paraná. Segunda-feira haverá reunião em
Porto Alegre para tentar levar isso adiante. Paulo Pires considera que o Seguro
Agrícola foi um dos pontos que ficaram devendo no Plano Safra.
País
Paulinho
destacou o cenário difícil pelo qual o Brasil está passando em termos financeiros.
Quando isso ocorre, sempre há dificuldade maior em se implantar políticas de
quaisquer natureza. Mesmo assim, a categoria não pode esmorecer, muito pelo
contrário, a causa dos agricultores depende sim da articulação política, mas o
custo de produção depende mais do cenário do mercado. Ele também ressaltou
pesquisa feita recentemente onde o Brasil aparece no último lugar na relação
imposto/retorno entre 60 países no mundo.
Lavouras
A safra de
soja foi excelente. Como produtor, Paulo Pires considera que hoje já se deve
pensar em planejamento da próxima safra, uma vez que o período de planejar o
trigo praticamente já passou. Ele voltou a citar o custo de produção como fator
preocupante. O milho, segundo Paulinho, também é um sério problema, com alta
nos cursos de produção e grande baixa do preço do produto, sem perspectiva de
aumento. Entretanto, os agricultores que usam pivôs e os adeptos da rotação de
culturas deverão seguir investindo.
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