SÃO LUIZ GONZAGA

São Luiz Gonzaga, RS, Brazil

O sol é para todos: o verão dos trabalhadores que percorrem São Luiz Gonzaga a pé ou de moto

  • 30 de janeiro de 2018

Atividades como caminhar pela
cidade para vender picolés ou fazer corridas de moto podem ser difíceis neste
verão. A rádio Missioneira continua com a série de reportagens sobre
profissões.
Nesta semana, o especial traz as histórias da vendedora de picolés,
Rosali Uburon e do mototaxista Jorge Luis Souza Leal.

Com a pele clara e avermelhada,
sentada na sombra da praça com o carrinho de picolés ao seu lado, ela conta que
passa protetor solar, mas ainda é necessário comprar um chapéu, porém não tem
dinheiro. "Nós sofremos muito com esse calor", afirma.

Com a falta de empregos, a
vendedora começou a vender picolés há um ano. Não somente picolés, mas sorvetes
e algodão-doce no inverno. Segundo ela, a situação é difícil e a renda é pouca.
"Eu trabalhava para um senhor, mas ele faleceu e fiquei sem emprego", conta.
Ela tem uma filha de 14 anos que estuda. "Eu consigo comprar roupas e calçados,
não são os melhores e às vezes falta para comprar material escolar", destaca. Rosali
conseguiu o emprego por indicação de uma amiga, mesmo com o programa Bolsa
Família, ela conta que o dinheiro não sobra.

Aos 51 anos, a trabalhadora tem de
caminhar com seu carrinho pela cidade das 10h às 18h. Do ganho diário 60% vai
para o chefe e 40% para ela. Em média ganha R$40 a R$50 por dia. "Não sobra,
mas eu sou muito feliz com meu trabalho, agradeço muito a todos que me ajudam",
declara a vendedora. Na cidade, a vendedora possui clientes fiéis e que a
ajudam.

O guarda-sol das motos

Precisa ir para uma festa? Uma
carona para o centro? Quem nunca chamou um moto táxi? Na Avenida Senador
Pinheiro Machado, para quem desce a Praça Cícero, em dias quentes acima dos
30°C, pode se encontrar uma cena peculiar: uma moto coberta por um
guarda-chuva. Na sombra, o mototaxista Jorge Luis Souza Leal, se refresca com
uma garrafa de água gelada e os braços marcados do sol.

Os trabalhadores misturam-se,
alguns dentro do ponto apertado, outros sentados e as motos ao sol. Jorge faz 25
corridas diárias, com roupas compridas e os coletes. Apesar de proteger, ajudam
a esquentar. "Os bancos ficam queimando", ressalta Luis.

Há 13 anos na profissão, Souza não mede palavras para dizer
que as altas temperaturas prejudicam o trabalho. Por vezes apenas passar
protetor solar não adianta. "No capacete, depois de um tempo a gente chega em
casa e parece que frita nossos miolos", conta. Ele também conta que nota as
temperaturas subindo ao longo dos anos. "Para suportar mesmo, é só sentadinho
na sombra e tomando uma água", comenta. Enquanto isso, para as motos, só resta
o guarda-sol.

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