SÃO LUIZ GONZAGA

São Luiz Gonzaga, RS, Brazil

Momento político e ódio nas redes: 'Estamos perdendo oportunidade de discutir o que é democracia', avalia professor da URI

  • 16 de abril de 2016

O momento é decisivo no Brasil. Há
meses, o principal assunto dos brasileiros gira em torno de palavras como:
corrupção, operação Lava Jato, além da disputa clássica direta x esquerda, ou
"é golpe ou não é golpe
".

A reportagem da Rádio Missioneira
saiu às ruas para saber a opinião dos são-luizenses sobre o assunto. A maioria
deles se diz desacreditado com a política brasileira.  Eles classificam o momento atual como "uma
bagunça, vergonhoso e horrível
". 
A maioria dos entrevistados não
acredita que o impeachment ou novas eleições irão resolver o problema. "Acho
que não tem um candidato bom, mas do jeito que está não dá", afirma outro.

Ódio e polêmica nas redes

O assunto não é só mais pauta nas escolas, universidades, nas residências e mesas de bar. É nas redes sociais que o debate é
intenso, quase violento. O brasileiro é o que mais usa as redes para buscar
informações. Conforme o último levantamento da agência americana Quartz, 67% da
população brasileira usa o Facebook para se informar. O país também lidera o
ranking mundial dos que utilizam a rede para fins diversos, com 80%.  

Notícias falsas, memes e fortes embates tornam a internet um ambiente perigoso. Para
o professor de Ciência Política da URI, João Victor Magalhães Mosquier, o momento é delicado. "Todo
mundo passou a conhecer o assunto, passou a dar opinião", disse. Segundo o
professor, isso torna as redes sociais perigosas. "Podem se criar falsas
verdades ou lendas urbanas", comentou. O
debate é próprio da democracia, assim como a tolerância ao contraditório.
Desqualificar o adversário não é positivo para a democracia e à civilização. 
"Não preciso odiar o outro só porque ele não pensa como eu", afirma.

Poder das redes sociais

Em pesquisa recente, através de dados
do Facebook, foi traçado um perfil digital dos manifestantes contra e a favor
do impeachment. A pesquisa foi realizada pelos professores da Universidade de
São Paulo (USP) Márcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado.

Em artigo no site do El País, os
professores explicaram como a pesquisa foi conduzida. "Foi coletado um
identificador único de cada usuário que anunciou publicamente sua intenção em
participar do ato do dia 13 (cerca de 410 mil usuários) e do dia 18 (cerca de
24 mil usuários) confirmando presença em eventos no Facebook. Em seguida esses
dados foram comparados com uma base de usuários que, entre os dias 13 de
fevereiro e 13 de março, curtiram alguma publicação de uma série de páginas
selecionadas pelos pesquisadores a partir do acompanhamento do debate político".
 

Nota-se que em relação ao poder de
mobilização, os partidos mais proeminentes são os mais tradicionais: de um lado
o PT e de outro o PSDB.  Dos três
movimentos tidos como lideranças dos protestos de 2015 - Vem Pra Rua, MBL e
Revoltados Online - é notável o declínio do terceiro que deixou de ser o mais
popular. Em popularidade se destaca a nova página do "partido" anti-PT, a mais
popular das consideradas. O trabalho completo pode ser acessado aqui.

Perdendo oportunidade

Segundo João, o debate é válido,
porém a polarização entre as duas correntes ideológicas tira o foco do que é o
mais importante.  "A questão não é só
partidária, de vermelho ou verde de amarelo", salienta.  "Essa discussão traz um racha social, e mais
uma vez, estamos perdendo a oportunidade de discutir o que é a democracia",
finaliza. 

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