A crise nos hospitais do Rio Grande do Sul não é uma novidade
e piora a cada dia. Em São Luiz Gonzaga, caso o Governo do Estado não pague os
recursos atrasados, a entidade não conseguirá manter as portas abertas. Atualmente,
o governo deve R$ 648 mil, valor que corresponde aos chamados incentivos, que
fazem parte do contrato.
Iria Diedrich, diretora do hospital, falou à reportagem da
Missioneira sobre a situação de agonia pela qual vive. Salários atrasados mês a
mês, fornecedores sem receber, pedidos de doações de alimentos e itens de
higiene agora é rotina.
Veja vídeo de protesto dos funcionários no Centro de São Luiz Gonzaga
Em outra manifestação, funcionários de mãos dadas rezam o Pai Nosso em frente ao hospital
Na semana passada, uma comitiva de lideranças foi à capital
para pedir apoio de deputados. Os números foram apresentados na Assembleia
Legislativa e são iguais ou piores que de outros vários hospitais gaúchos.
Iria também participou de reunião no Departamento de
Assistência Hospitalar e Ambulatorial (Daha), onde as notícias foram as piores
possíveis. "Fomos informados pelo Dr. Francisco que a partir de setembro, não
haverá mais dinheiro", salientou. O diretor não deu detalhes sobre a afirmação.
A preocupação maior é com a folha de pagamento dos quase 200
funcionários, que todo mês é paga com atraso. A poucos dias de pagar os funcionários, não há dinheiro. Com o agravo da crise, 18
funcionários foram demitidos. "Nosso quadro de funcionários está no limite, a
área de Enfermagem, por exemplo, precisa de mais gente", explica.
A diretora criticou afirmações de João Gabbardo, secretário
de Saúde, que em entrevistas para a imprensa estadual disse que todos os
pagamentos estão em dia."Quando ele fala em produção sim, mas os incentivos
estão atrasados desde fevereiro", explica.
Outra preocupação diz respeito ao pagamento da parcela de R$
100 mil, que corresponde a negociações realizadas para obter negativas. Com o
corte de recursos mês a mês, aliados aos atrasos, há grande risco de não sobrar
dinheiro para pagar a dívida.
UTI ainda ainda mais longe
A luta pela UTI, não está mais nos planos. Sem condição de
pagar o básico para manter o atendimento à população regional, não há hipótese
em pensar na continuidade do projeto da UTI, que é um sonho da região.
A diretora pediu desculpas aos funcionários pela situação. "Sabemos
que muitos dependem exclusivamente desse salário para o sustento de suas
famílias, mas estamos fazendo o possível, de maneira transparente", acentua.
Ela agradeceu a todas as doações da comunidade regional, seja
em dinheiro ou produtos alimentícios e de higiene. "Sou eternamente grata pelo
apoio de todos, que juntos seguem na luta por manter o hospital de portas
abertas", finaliza.
A Secretaria
de Saúde foi procurada pela reportagem da Rádio Missioneira, mas ainda não se
pronunciou sobre o assunto.
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