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Com descendência guarani, Pedro Ortaça iniciou carreira musical na década de 1960

Com descendência guarani e uma trajetória marcada pela valorização da cultura missioneira, Pedro Ortaça tornou-se um dos maiores nomes da música regional gaúcha. Nascido em 29 de junho de 1942, no Pontão de Santa Maria, interior de São Luiz Gonzaga, Pedro Marques Ortaça iniciou sua caminhada profissional na música ainda na década de 1960.

Filho de Alberto Ortaça e Maria Cândida Marques Ortaça, Pedro cresceu ao lado de seis irmãos em meio à simplicidade da vida no interior. A forte ligação com as raízes indígenas vinha da avó paterna, Felicidade Ortaça, descendente guarani que se casou com um descendente de espanhóis.

A infância no campo deixou lembranças da liberdade e da convivência com a natureza, mas também das dificuldades enfrentadas pelas famílias da época.  A ligação com a música começou cedo. Influenciado pelos bailes da região e pela musicalidade presente na família, Pedro desenvolveu o talento artístico que mais tarde o transformaria em um dos símbolos da cultura missioneira.

Na década de 1960, iniciou sua trajetória profissional formando uma dupla musical com João Máximo. A partir dali, passou a consolidar uma carreira voltada à valorização das raízes missioneiras, indígenas e gaúchas. Em 1977, lançou seu primeiro álbum. Já em 1988, ao lado de Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Noel Guarany, lançou o disco “Troncos Missioneiros”, trabalho que consolidou o nome do grupo de artistas que, desde os anos 1960, vinha construindo uma nova identidade musical para o Rio Grande do Sul.

Ao lado da esposa Rose, construiu também uma trajetória familiar ligada à música. Pai dos artistas Gabriel, Alberto e Marianita Ortaça, realizou milhares de apresentações pelo Brasil e exterior junto à Família Ortaça. A família também chegou a comandar o programa “Orgulho Gaúcho”, transmitido aos domingos pela Rádio Missioneira.

Considerado um dos principais guardiões da cultura tradicional gaúcha, Pedro Ortaça recebeu importantes reconhecimentos ao longo da carreira. Em 2024, foi escolhido patrono dos Festejos Farroupilhas. Também recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Além disso, foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Mestre da Cultura Popular Brasileira. Recentemente, recebeu o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).

Pedro Ortaça faleceu nesta sexta-feira (29), aos 83 anos, deixando um legado histórico para a música missioneira e para a cultura gaúcha.

Fonte: Rádio Missioneira

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