Amor é um sentimento de carinho e demonstração de afeto que
se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de o demonstrar. Em geral, é
o que leva duas pessoas a constituírem uma relação afetiva. É o que a maioria,
em especial as mulheres, busca em um relacionamento: carinho, felicidade e
proteção. Nem sempre o desejo se concretiza e o final pode ser trágico.
Em 10 anos de vigência da Lei Maria da Penha, cinco mulheres
foram mortas brutalmente por seus companheiros em São Luiz Gonzaga. Para a
delegada Elaine Maria Schons, responsável pelo Posto de Atendimento à Mulher da
cidade, o número é considerado alto.
Outras tantas mulheres são agredidas, verbalmente ou
fisicamente, todos os dias. Relatos assim não faltam. Um deles é o da vendedora Carla**. As
agressões do companheiro começaram com agressões verbais. Depois, evoluíram para
agressões físicas. Marcas roxas faziam parte do seu rosto e corpo.
Carla não deixou que o fim fosse trágico. Denunciou o marido
à polícia. Através da Lei Maria da Penha, ele chegou a ser preso. Hoje, não
pode chegar perto de Carla.
É importante buscar
ajuda
A lei é bastante conhecida.
É o medo ou a esperança de mudanças do companheiro os possíveis fatores que
levam às vítimas a não buscarem ajuda dos órgãos competentes.
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As mulheres são chantageadas e ameaçadas por seus
companheiros muitas vezes de forma cruel. "Em um dos casos, o homem usava fotos
de crianças mortas para amedrontar a esposa, dizendo que faria o mesmo com seus
filhos", relatou Elaine. O homem matou os filhos e tentou matar a
esposa, que sobreviveu. Ele está preso.
Segundo a delegada, os registros das agressões são
fundamentais para buscar a punição e proteção às mulheres. Elaine citou um caso
recente na cidade, em que o ex-namorado é o principal suspeito de matar uma
jovem de 25 anos. Segundo o que apurou a delegada, não há registros da polícia
anteriores ao assassinato. O suspeito, que tentou suicídio, está hospitalizado. O caso abalou a comunidade local.
A delegada ainda destaca a importância de relatar à polícia
intenções suicidas dos companheiros. "É um trabalho conjunto com uma rede
estruturada, que também envolve os órgãos de saúde, que podem fazer
intervenções psicológicas", explicou.
Ciclo de violência
Segundo Elaine, os casos colaboram para a continuidade do
ciclo de violência nas famílias. Os filhos que veem suas mães serem agredidas
por seus companheiros, podem assimilar a ideia de normalidade. "As meninas
serão as futuras vítimas, pois cresceram acreditando que são obrigadas a
aceitar a violência, enquanto os meninos crescem pensando que é normal agredir suas companheiras",
explica Elaine.
Não voltar atrás
Conforme Elaine, também são comuns casos em que as mulheres
cedem às medidas protetivas, deixando os agressores se aproximarem novamente. "A
história é sempre a mesma, depois da crise, eles voltam se dizendo
arrependidos, de que irão mudar, mas geralmente tudo acontece novamente",
ressalta a delegada.
As idas e vindas podem fazer com que a palavra da mulher
entre em descrédito. Ainda segundo a delegada, já foram inúmeros casos em que a
proteção da lei foi eficaz para evitar tragédias. "É um dado que não temos, mas
tenho certeza que através da Lei Maria da Penha, com a denúncia dos agressores,
muitas tragédias foram evitadas", afirma.
Elaine encoraja as mulheres que passam por situações de violência à denunciarem seus agressores à polícia. "Não pensem que assim estarão protegendo seus filhos, ou não pensem que e tarde demais, procurem ajuda", salienta.
Dados assustadores
No Brasil, os últimos
dados do Mapa da Violência mostram que 13 mulheres morrem por dia. Em 2013,
foram 4.762 de mulheres. No ano passado, 92 mulheres por dia foram agredidas
fisicamente, segundo dados do Portal Brasil, baseados no Ligue 180, utilizado para
denunciar casos de agressão.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, no
Rio Grande do Sul, de janeiro à setembro, foram registrados 30.816 casos de ameaça
à mulher. No mesmo período, 17.775 casos de agressão foram registrados. O
relatório ainda mostra que 64 mulheres foram mortas e outras 223 sofreram
tentativa de assassinato por questões de gênero.
Onde procurar ajuda
Casos de violência podem ser denunciados no plantão da
Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) ou no Posto de Atendimento à Mulher,
junto à Delegacia da Criança e do Adolescente. Em casos urgentes, a Brigada
Militar pode ser acionada pelo 190.
A Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos recebe, em
média, 50 denúncias por mês no Centro Estadual de Referência da Mulher, sejam
presenciais ou pelo Telefone Lilás (0800 541 0803).
** O nome da fonte foi trocado para preservar a identidade da vítima.
Ouça em áudio, a entrevista com a delegada, realizada no programa Cidade Alerta especial no Dia Internacional da Mulher.
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