Dia
25 de julho é o Dia do Motorista. Este
foi escolhido por ser a data dedicada a São Cristóvão, santo padroeiro dos profissionais.
Eles são personagens fundamentais para na vida de cada cidadão e, se um dia, as
rodas de seus caminhões pararem, o desenvolvimento das cidades, também param.
Como
uma maneira de mostrar a importância de uma classe pouco reconhecida, a
reportagem da Rádio Missioneira foi em busca de relatos de pessoas que viajam
milhares de quilômetros atrás de um volante com os olhos na estrada.
Um
deles é André Luiz Binsfird. Há 12 anos ele é caminhoneiro, e enfatiza que
muitas pessoas não têm conhecimento da relevância do trabalho desenvolvidos por
eles. Para André, tudo é transportado por meio do caminhão. "Somos
abastecedores. Se nós pararmos, vai faltar mercadoria nas residências. Tudo
para junto", afirmou.
Ele
destacou que deveria haver mais conscientização em relação a esses
profissionais, principalmente quando decidem reivindicar. "As pessoas deveriam
compreender quando paramos ou fazemos greve. Se o combustível sobe, gastamos
mais e recebemos ainda menos. É preciso que notem e respeitem isso", disse.
Além
disso, o aumento do preço dos combustíveis, anunciado pelo presidente Michel
Temer (PMDB), atinge em cheio a classe. André explicou que os caminhões rodam
centenas de quilômetros, e que centavos de acréscimo, ao final da viajem
representa um gasto considerável e elevado.
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A
rotina que levam os motoristas de caminhões, contam com diversos desafios.
André, atualmente viaja junto com a família - pai, mãe, irmão e um motorista
extra. No início, quando viajava sozinho, se acidentou. Devido ao excesso de
trabalho dormiu ao volante e tombou, por isso decidiu trabalhar acompanhado
desde então.
Roubado e sequestrado
Outro
caminhoneiro que já enfrentou problemas na estrada foi o paranaense Roberto
Silva. Ele teve o caminhão roubado em São Paulo, durante a ação, os criminosos
o sequestraram. Ele ficou mais de seis horas em cativeiro até ser libertado.
Roberto
analisou que apesar dos riscos e da importância do trabalho que desenvolvem, a
classe é desvalorizada. "Ninguém nos respeita. As pessoas não têm consciência e
não reconhecem que deixamos de levar o sustento para casa, para poder levá-lo
para famílias de todo país", argumentou.
O
motorista alertou para as situações das estradas, a elevação do combustível e
imprudências ao volante. Ainda assim, pontuou que as viagens permitem conhecer
muitas pessoas e fazer amigos. Para ele, isso é um dos motivos que faz com que
siga a profissão.
Os
motoristas também enfrentam medos. "Sempre digo em casa que não sei como voltar
embora, se é dirigindo ou dentro de um caixão. O perigo que enfrentamos é
eminente. Hoje minha filha tem 18 anos e não vi ela crescer. Tenho medo de não
estar por perto quando a família precisar ou do modo como voltarei embora",
contou.
Para
ele, os motoristas devem ter cuidado na estrada, independente do veículo que
conduzem. Disse que é preciso que o pensar com carinho, valorizar a profissão e
o próximo.
Seguiu os caminhos do pai
Condutor
de caminhão há 28 anos, Marco Aurélio da Silva, natural de Pelotas, decidiu
seguir a profissão por causa do pai. Também enfatizou que é preciso haver a
valorização dos caminhoneiros. Pontuou que a remuneração não condiz com a
realidade, importância e problemas enfrentados pelos profissionais.
O
desenvolvimento da economia e a intermediação do desenvolvimento das cidades são
apontados com a principal importância da classe para Verno Langert. Ele leva a
vida na estrada há 15 anos. Alertou para a possibilidade de assaltos que estão
sujeitos constantemente. Outro fator que indigna o motorista além da falta de
segurança, é o preço do combustível. "O que o governo fez é um absurdo.
Primeiro reduziram poucos centavos, e agora, elevam a mais de R$ 0,40. Isso se
torna um prejuízo enorme para nós. Eles sobem o preço do diesel, mas não
reajustam o valor do frete", falou.
Faça
chuva ou sol, eles percorrem milhares de quilômetros. Movimentam a economia e
transportam diversas mercadorias, que muitas vezes, são o sustento de todas as
famílias. Apesar de todos os problemas e desafios enfrentados, todos eles
compartilham de um mesmo sentimento: a valorização e o amor pela profissão e
pela estrada.
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