O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS) é um dos
signatários do projeto que estabelece a Política Nacional de Redução do Uso de
Agrotóxicos. A proposta foi encaminhada nesta terça-feira (8) à Câmara dos
Deputados por um conjunto de entidades, movimentos sociais e parlamentares.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nos últimos dez
anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, mas no Brasil a expansão foi
de 190%. Em média, cada brasileiro consome cinco litros de agrotóxicos por ano.
Bohn Gass avalia como vergonhoso o fato de o Brasil ser,
desde 2008, o campeão mundial em uso de venenos nas lavouras, mas pondera que a
redução dessa prática exige quatro frentes simultâneas de atuação: 1) punição
severa para o tráfico e o uso abusivo de agrotóxicos 2) conscientização do
produtor e do consumidor; 3) medidas de apoio à agricultura familiar para a
conversão às práticas ecologicamente sustentáveis 4) maior rigor na análise
para autorização da venda de antigos e novos venenos, por que muitos dos
produtos usados, hoje, no país, já foram banidos nos Estados Unidos e na União
Europeia. "A necessidade de redução é
urgente! Mas quem conhece a realidade do agricultor familiar, sabe que ele é
muito mais vítima do que agente dessa prática nociva à saúde do homem, da terra
e das águas. Faço, então, o alerta: o colono precisa de assistência técnica e
dinheiro para chegar à produção limpa", diz Bohn Gass.
NÃO É REMÉDIO, É VENENO - Secretário Nacional Agrário do PT,
Bohn Gass pede que a sociedade brasileira manifeste sua inconformidade com
algumas iniciativas da bancada ruralista (também chamada de "bancada do boi")
que, ao contrário do que acontece no mundo inteiro, entre outras coisas vem
tentando flexibilizar a Lei dos Agrotóxicos. "Por exemplo, eles estão tentando
mudar o nome de agrotóxico para fitossanitário, dando a impressão de que se
trata de remédio, não de veneno. Isso é uma desfaçatez, por que, hoje, quando
se diz agrotóxico, a sociedade já sabe que se trata de algo que faz muito mal à
sua saúde", denuncia o parlamentar.
Bohn Gass foi um dos parlamentares que levaram o novo projeto
ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) e ouviu dele a promessa de colocar
a proposta em discussão numa comissão especial da Câmara. Entre os signatários
do projeto estão a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco),
Greenpeace, Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores
(MPA), a Via Campesina, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e a
Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar
(Fetraf).
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