Parece irreal, mas uma das presas hoje (03) na Operação Fruto
Proibido prostituía a própria filha, de apenas 13 anos. Segundo a delegada Elaine Maria Schons, que liderou a investigação, outra mãe presa também
prostituía a filha. As demais, no total de 15 identificadas, com idade máxima de
17 anos, muitas com famílias sem nenhuma estrutura, viam na prostituição um
único caminho de conseguir dinheiro.
Medo dos "cafetões"
Foi difícil para Elaine conseguir fazer com que as jovens
relatassem os casos. Eles surgiram a partir de denúncias de fugas de meninas do
Lar da Criança e do Adolescente. Aos poucos, a delegada percebeu que o que
parecia pontual, era muito mais sério e abrangente.
"Ouvi muitas histórias dessas meninas, coisas difíceis de
ouvir", disse. Muitas deles tinham medo de informar os nomes dos "cafetões", por
causa da violência ou retaliações. A maioria deles possui envolvimento com
outros crimes, como tráfico, furtos ou roubos.
Os casos têm ligação direta com as drogas. Conforme a
delegada, os "cafetões" viciam as jovens. O principal entorpecente utilizado é
a cocaína. Apesar de ser mais cara que outras drogas, é um entorpecente
discreto, que não deixa cheiro. "Isso não atrapalharia os clientes", explica
Elaine.
Outras duas prisões em flagrante realizadas em janeiro e
fevereiro estão relacionadas. Em Santo Antônio das Missões, um homem foi preso
por aliciar as jovens, além da dona da casa onde ocorria a exploração. Cocaína
foi encontrada no local. A outra prisão aconteceu em um motel de São Luiz
Gonzaga. Um homem estava com uma menina de apenas 13 anos.
Elas são as vítimas
Segundo Elaine, é importante que as pessoas não olhem com
preconceito para as jovens. "Elas são acima de tudo vítimas e devem ser vistas
assim, sem nenhum preconceito ou julgamento", disse.
Elas irão precisar de auxílio e apoio de entidades
assistenciais. "Queremos que elas tenham um futuro longe da prostituição",
salientou Elaine. "A comunidade precisa unir forças, encontrar alternativas e
mudar o rumo dessas meninas e de outras que estão no mesmo caminho".
Caso é sólido
Segundo Elaine, esse não é um caso para não se dar andamento
judicial. "Temos provas muito fortes e robustas, não há como eles negarem que
não sabiam da idade das meninas", argumentou.
O inquérito será concluído em dez dias. As prisões são todas
preventivas. Por mais que a rede possa estar desmantelada, com a prisão dos
principais envolvidos, outras meninas podem estar na mesma situação.
Ela informou que a Delegacia da Criança e do Adolescente (DPCA) está
de portas abertas para receber e ajudar as meninas. A DPCA fica na rua Borges
de Medeiros. O telefone é o 3352-8122.
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