As previsões
para o El Niño deste ano começaram a mudar a medida em que o fenômeno vem
ganhando força e agora, segundo informa a meteorologista sênior do instituto
norte-americano AccuWeather, Kristina Pydynowski, esse pode ser o mais forte
dos últimos 50 anos. As últimas previsões indicam ainda que o fênomeno poderia
durar até o verão de 2016 na América do Sul e primavera do ano que vem na
América do Norte. De acordo com o NOAA - departamento oficial de clima do
governo dos EUA há 80% da chance desse cenário se confirmar. A instituição
afirma ainda que há uma previsão de 90% de que o fenômeno dure, pelo menos, até
o próximo inverno americano, que se inicia em dezembro.
''O El Niño
apresentou uma força estável ao longo do último mês e agora está se aproximando
para ganhar ainda mais resistência. Há uma convicção crescente de que esse será
um dos mais fortes dos últimos 50 anos, e o fenômeno atinge seu pico,
normalmente, durante o período de dezembro a fevereiro'', disse Brett Anderson,
meteorologista também do Accuweather.''O El Niño mais forte desde o início do
século 20 aconteceu entre os anos de 1997 e 1998'', completou.
Para o
Brasil, os primeiros efeitos já estão sendo sentidos: o excesso de chuvas na
região do Sul do país e as previsões de mais precipitações intensas nos
próximos dias. Afinal, este é o primeiro inverno brasileiro sob influência do
El Niño em mais de meia década, conforme explica o professor Eugenio Hackbart,
do blog de meteorologia Metsul.
''O El Niño,
nesse período do ano, tem o efeito de bloquear a passagem de frentes frias no
sul do Brasil, ou seja, elas avançam, mas não conseguem sair com tanta rapidez.
Então, elas ficam estacionadas, atuando na mesma região por vários dias
consecutivas, gerando altos volumes de precipitação'', explica a meteorologista
Estael Sias, também do Metsul.
E associado
ao El Niño, há ainda, segundo Estael, a atuação de um outro fenômeno '' a
Oscilação Madden-Julian (OMJ) '' que é uma instabilidade de ciclo de 30 a 60
dias e gira todo o globo terrestre e que deve coincidir sua passagem pelo sul
da América do Sul nos próximos dias.
''Temos o
fator climático, que é o El Niño, o desenvolvimento do inverno com a passagem
de frentes frias e ainda mais essa instabilidade associada à OMJ. Então, temos
estes três fatores atuando em conjunto. E olhando para o oceano Pacífico
Central hoje vemos um aquecimento muito grande, com a formação de um El Niño
clássico, com intensidade de moderada a forte e toda a região, desde a costa da
América do Sul até a região Central já registrando temperaturas muito acima da
média'', explica a meteorologista.
Assim, o
quadro para os próximos meses é preocupante para a agricultura, principalmente
durante o inverno nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O
frio deve vir em curtos períodos e o excesso de chuvas exige atenção. Entre
agosto e setembro ? com a chegada da primavera, os temporais devem se
intensificar. A umidade, ainda de acordo com informações do Metsul, deverá
ficar acima da média nos três estados do Sul, e um cenário semelhante poderá
ser sentido ainda no Sul de Mato Grosso do Sul.
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