Sem cirurgias hospitais de pequeno porte vão fechar, avaliam gestores da região

O tema continuará em pauta na próxima assembleia da AMM, dia 23 de maio, quando será formalizado documento coletivo com o posicionamento da Associação para o devidos encaminhamentos

Hospital que não faz cirurgia vai fechar. Foi com este sentimento que prefeitos, secretários de Saúde e gestores de hospitais da região missioneira, analisaram a reunião que debateu situação dos hospitais de pequeno porte, conforme resolução 64, da Secretaria Estadual de Saúde, que ocorreu na manhã de hoje, 09 de maio, em São Luiz Gonzaga, com representantes da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde. O responsável e gestor do Hospital de Cerro Largo, Ademir Ivo Hofmann, fez questão de expressar sua preocupação sobre a questão. "Minha declaração é simples e enfática: hospital que não faz cirurgia está com os dias contados e vai fechar. E a população que precisa ser atendida, como ficará?", indagou Hofmann.

Também o o médico cirurgião geral e prefeito de Porto Xavier, Paulo Sommer, entende que a situação é muito grave, e, mais uma vez, mostrou sua indignação. "De acordo com a resolução 64, proposta pelo governo, não poderemos realizar cirurgias, partos e cezárias, tanto pelo SUS, IPE, Unimed ou particular, ou seja, vamos ter que parar de atender a população, o que vai resultar no fechamento dos hospitais", lamentou ele ao afirmar: em Porto Xavier, vamos lutar para que não tenhamos que aderir à medida da Secretaria, pois a saúde e bem estar da nossa população é prioridade", garantiu Sommer, que também é vice-presidente da Associação dos Municípios das Missões.

Nelson Hentz, prefeito de Mato Queimado, também faz sua análise do problema. "Esse projeto do governo do Estado vai desmontar as ações dos hospitais do interior. Mães e crianças já morreram no parto a caminho de hospitais. E agora, vamos voltar no tempo e permitir que situações como essa se repitam? " questionou Hentz. Teremos muitas pessoas prejudicadas com esta medida e vamos brigar para que isso não aconteça", assegurou o prefeito da AMM. Para o prefeito de Pirapó, Arno Werle, a questão precisa ser bastante avaliada, antes de qualquer decisão. "No caso do nosso município teremos que ver bem com quais hospitais iremos compactuar, de forma a melhor atender a nossa população", pontuou Werle.

Segundo Lói Biacchi, da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde, o objetivo da resolução "não é para piorar a vida das pessoas, ao contrário, é uma medida que o governo do Estado fez, muito bem pensado", destacou. Biacci explicou anida que não uma imposição e sim, uma opção de adesão aos hospitais de pequeno porte e, de acordo com ele, "os pacientes não serão prejudicados e terão mais suporte no atendimento dos hospitais maiores da região".

Na próxima assembleia mensal da Associação, que acontece dia 23 de maio, em Guarani das Missões, será apresentado um relatório pelo prefeito de Porto Xavier, Paulo Sommer, sobre o encontro de hoje com a 12ª CRS. De acordo com o presidente da entidade, prefeito de São Luiz Gonzaga, Junaro Rambo Figueiredo, a intenção é debater o problema com os demais prefeitos da AMM para, juntos, elaborarem um documento com o posicionamento da Associação, que será encaminhado aos órgãos competentes.