Professor e alunos da UFFS fizeram a descoberta

Foto: Divulgação - Fonte: UFFS - Autor: Assessoria de Comunicação
14 Novembro 2017 03:11:22

Em uma das pesquisas de campo realizadas no Rio Piratinim, no município de São Nicolau (RS), o professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) Campus Cerro Largo, David Reynalte-Tataje, e seus alunos de mestrado e graduação, encontraram ovos de uma espécie de peixe em extinção no estado: o piracanjuba ou bracanjuva. O livro vermelho de espécies em extinção aponta que, no estado, em todas as categorias de ameaça, constam 28 espécies de peixe alto risco.

O professor David explica que essa espécie se reproduz em ambiente de correnteza, onde tem mais oxigênio, e os ovos conseguem estar sempre em movimento. Se tiver em água parada o ovo cai no fundo e sua membrana estoura, explica. Nas regiões do Alto Uruguai (divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e do Baixo Uruguai a quantidade de barragens dificulta a reprodução desse peixe e ele acaba por ser extinto. A extensão do rio nesses locais é pequena e foi prejudicada pela presença de barragens. Em 15 anos trabalhando nessa área, nunca encontrei um piracanjuba, nem adulto, muito menos larva ou ovo, argumenta o pesquisador. A região do Médio Uruguai possui cerca de 800 quilômetros de extensão o que propicia um ambiente adequado para a reprodução dessa espécie. Os ovos foram capturados bem no início do desenvolvimento, ou seja, tinham, no máximo, uma hora desde o momento da desova e, segundo David, a reprodução estava acontecendo há cerca de 15 ou 20 quilômetros do ponto em que estavam.

No rio Paraguai e no rio Paraná a presença desta espécie está restrita e desapareceu nos locais onde tem barragens. Para ele, a região do Médio Uruguai está em melhor situação com relação à presença da Piracanjuba. Só neste trecho, onde ainda não existem barragens no canal principal do rio Uruguai, é que esses peixes encontram espaço ideal para se reproduzirem. Se houver construção de barragens, a espécie entrará em colapso. Não tem meio termo, adverte o pesquisador.

O Livro Vermelho explica que, apesar da extinção das espécies ser um processo natural, o ser humano acaba acelerando esse processo ou mesmo reduzindo em extensão e em qualidade os hábitats da maior parte dos demais seres vivos.

 

 

 



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